sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Historicidade da Filosofia

A historicidade da filosofia "não é a ideia de que os problemas da filosofia surgem nas obras dos filósofos do passado. Os problemas da filosofia surgem quando qualquer pessoa se põe a pensar em alguns aspectos da vida. Além de surgirem naturalmente, os problemas da filosofia não existem apenas nas obras dos filósofos do passado. Aliás, há mais filósofos hoje em dia. A chamada "historicidade da filosofia" não quer dizer nem que a filosofia não é uma disciplina viva, que surge sempre que nos pomos a pensar, nem quer dizer que a filosofia é uma coisa só do passado.
Em segundo lugar, e mais importante, a historicidade da filosofia não é a ideia de que o trabalho que nos resta fazer hoje é meramente compreender, comentar e analisar as obras dos filósofos do passado. Esta seria uma visão muito redutora da filosofia, e não corresponde sequer ao que os mais importantes filósofos da actualidade fazem.
Em Filosofia, o objectivo não é apenas compreender os grandes filósofos do passado e do presente, mas saber fazer filosofia.
O que dificulta a compreensão da relação que a filosofia mantém com a sua história é o facto de o progresso em filosofia ser muito diferente do tipo de progresso que se observa na ciência. Na ciência ensinam-se os resultados mais recentes. Em filosofia não se pode ensinar unicamente a mais recente teoria dos universais, por exemplo, ou a mais recente teoria ética, como se fossem teorias consensualmente aceites pelos especialistas. É que, ao contrário do que acontece em ciência, não há em filosofia um corpo vasto de conhecimentos consensuais e cristalizados. A filosofia é, essencialmente, discussão de ideias e especulação. Isto tem implicações importantes para o ensino da filosofia, pois não se pode dar ao estudante a ideia falsa de que as últimas teorias hermenêuticas, fenomenológicas, existencialistas, pós-modernistas, marxistas ou fascistas são a última palavra, no mesmo sentido em que a física de Einstein é, até hoje, a última palavra nessa área.
O primeiro factor é o saber-fazer envolvido na filosofia. Para se fazer filosofia é preciso dominar os instrumentos do ofício: saber discutir ideias, saber traçar distinções importantes, saber distinguir versões subtilmente diferentes de teorias análogas e, claro, compreender os problemas da filosofia. Sem estas competências fundamentais não é possível fazer filosofia competentemente; não é sequer possível fazer história da filosofia competentemente.
Quando discutimos uma ideia filosófica verificamos muitas vezes que essa ideia tem uma história; houve outras pessoas que a defenderam ou atacaram. É por isso importante saber o que os grandes filósofos pensaram. Nada há de extraordinário nisto."

Em suma, a necessidade de estudar os grandes filósofos do passado e do presente resulta da necessidade de não se perder tempo a defender o que já foi defendido e discutido, por um lado, e da necessidade de tentar ir um pouco mais longe na compreensão das coisas do que foram os nossos antepassados e os nossos colegas contemporâneos.

baseado em: http://criticanarede.com/fil_historicidade.html

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